O Artilheiro Comentarista
Médico do Atlético-MG e Seleção Brasileira abre o jogo sobre gramado sintético e influência em lesões

Médico do Atlético-MG e Seleção Brasileira abre o jogo sobre gramado sintético e influência em lesões

Dr. Rodrigo Lasmar (Foto: Luís Amaral / Atlético)

O uso de gramados sintéticos no futebol brasileiro tem provocado um debate cada vez mais intenso entre clubes, atletas, dirigentes e profissionais da área médica. Embora a alternativa seja defendida por questões de durabilidade, padronização e redução de custos de manutenção, uma preocupação específica tem ganhado força nos bastidores: a possível relação entre a grama artificial e o aumento do número de lesões entre os jogadores.

Clubes que atuam em estádios com gramado sintético argumentam que a tecnologia evoluiu significativamente nos últimos anos, oferecendo superfícies mais uniformes e resistentes às variações climáticas, especialmente em regiões com alto volume de jogos e eventos. A regularidade do piso, segundo defensores do modelo, contribui para a previsibilidade dos movimentos e reduz riscos causados por buracos ou irregularidades comuns em gramados naturais mal conservados.

Por outro lado, atletas e membros de comissões técnicas levantam ressalvas importantes. Um dos principais pontos citados é o impacto maior nas articulações, especialmente joelhos, tornozelos e quadris, devido à menor absorção de impacto e ao atrito elevado da superfície sintética. Jogadores relatam sensação de maior desgaste físico, além de desconforto muscular após partidas disputadas nesse tipo de campo.

Outro fator frequentemente mencionado é o comportamento da bola, que tende a ganhar mais velocidade e quique diferente do observado na grama natural. Essa alteração pode exigir ajustes constantes de postura e tempo de reação, aumentando o risco de movimentos bruscos e, consequentemente, de lesões musculares e ligamentares.

O debate também envolve o calendário apertado do futebol brasileiro. Com pouco tempo de recuperação entre partidas e viagens frequentes, o acúmulo de jogos em gramados sintéticos passa a ser visto como um possível agravante para o desgaste físico dos atletas, especialmente em competições de longa duração.

Entidades representativas de jogadores defendem que a discussão seja aprofundada com base em dados médicos e científicos, levando em conta não apenas a incidência de lesões, mas também o tipo, a gravidade e o tempo de recuperação. A proposta é que decisões futuras considerem critérios técnicos claros, evitando que a adoção do gramado sintético seja pautada apenas por aspectos financeiros ou logísticos.

Enquanto isso, o tema segue dividindo opiniões no futebol nacional. Em meio à busca por modernização e sustentabilidade, o desafio passa a ser encontrar um equilíbrio entre inovação, desempenho esportivo e, sobretudo, a preservação da saúde dos jogadores, elemento central para a qualidade e a credibilidade do espetáculo.

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