
A Associação do Futebol Argentino (AFA) está no centro de uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e pelo FBI. Em meio à disputa da Copa do Mundo de 2026, autoridades americanas apuram suspeitas de fraude bancária e lavagem de dinheiro relacionadas a operações financeiras realizadas pela entidade em território norte-americano.
De acordo com informações publicadas pelo jornal argentino La Nación, os investigadores buscam esclarecer como a AFA movimentou centenas de milhões de dólares por meio do sistema financeiro dos Estados Unidos e se parte dessas transações violou a legislação americana. A apuração teve início em 2025, em caráter preliminar, mas ganhou força nas últimas semanas.
Entre as diligências já realizadas está o depoimento do empresário Guillermo Tofoni, ouvido por aproximadamente três horas em videoconferência por promotores federais e agentes do FBI de Washington e Miami. O objetivo foi obter esclarecimentos sobre a gestão dos contratos internacionais da AFA e o fluxo de recursos movimentados no país.
A investigação também concentra atenções sobre o presidente da AFA, Claudio “Chiqui” Tapia, o dirigente Pablo Toviggino e a empresa TourProdEnter LLC, responsável pela administração das receitas provenientes de contratos comerciais internacionais da entidade.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa argentina, a TourProdEnter LLC teria administrado cerca de US$ 260 milhões em receitas da AFA por meio de contas mantidas em instituições financeiras como Citibank, Bank of America, JP Morgan, Synovus e PNC Bank.
Os investigadores afirmam que aproximadamente US$ 57 milhões foram distribuídos entre empresas e beneficiários sem justificativa econômica considerada clara nos documentos analisados. A suspeita é de que parte dessas operações possa configurar crimes financeiros sob jurisdição dos Estados Unidos.
Além de empresários ligados às operações comerciais da AFA, a força-tarefa também avalia ouvir ex-integrantes do governo do presidente Javier Milei que tiveram acesso a informações sobre as atividades da entidade ou participaram da fiscalização de suas operações.
As investigações são conduzidas por uma equipe especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Até o momento, o caso permanece em fase preliminar, e não há acusação formal apresentada contra os dirigentes ou demais envolvidos.
