
A história parece sempre encontrar um jeito de se repetir com a Inglaterra. Nesta quarta-feira (15), a seleção inglesa esteve a poucos minutos de voltar à final da Copa do Mundo, mas sofreu a virada por 2 a 1 para a Argentina, em Atlanta, e viu escapar mais uma oportunidade de encerrar um jejum que já dura seis décadas.
O único título mundial da Inglaterra continua sendo o conquistado em 1966, diante de sua torcida, no estádio de Wembley. Desde então, a famosa expressão “football’s coming home” tornou-se mais um símbolo da esperança dos torcedores do que uma realidade dentro de campo.
Virada argentina expõe erros ingleses
A eliminação para a atual campeã do mundo teve um roteiro que já parece familiar para os ingleses. Anthony Gordon abriu o placar ainda no primeiro tempo, colocando a Inglaterra em vantagem e muito perto da decisão.
No entanto, após o gol, a equipe comandada por Thomas Tuchel diminuiu a intensidade, recuou suas linhas e entregou a posse de bola para a Argentina, que passou a controlar completamente a partida.
A pressão aumentou nos minutos finais. Lionel Messi assumiu o protagonismo, encontrou espaços entre as linhas inglesas e distribuiu duas assistências decisivas. Primeiro, Enzo Fernández empatou o confronto. Já nos acréscimos, Lautaro Martínez apareceu para completar a virada e garantir a classificação argentina para mais uma final de Copa do Mundo.
Mudanças de Tuchel entram na mira
Além do resultado, a atuação inglesa gerou críticas pela estratégia adotada após abrir o placar.
As substituições de perfil mais defensivo, a perda do controle do meio-campo e a postura excessivamente cautelosa permitiram que a Argentina crescesse na partida. Em vez de manter a iniciativa, a Inglaterra passou a apenas reagir, cenário que favoreceu o domínio argentino.
O desfecho reacendeu um debate recorrente: a dificuldade da seleção inglesa em administrar partidas decisivas quando está em vantagem.
Seis décadas de traumas
Desde o título de 1966, a Inglaterra coleciona eliminações marcantes em grandes competições.
Em 1990, caiu diante da Alemanha nos pênaltis na semifinal da Copa do Mundo. Seis anos depois, voltou a enfrentar os alemães na semifinal da Eurocopa, em Wembley, e novamente foi eliminada nas cobranças de pênaltis.
Os confrontos contra a Argentina também deixaram cicatrizes profundas na história inglesa.
Em 1986, Diego Maradona marcou o polêmico gol da “Mão de Deus” e, poucos minutos depois, protagonizou o histórico “Gol do Século”, eliminando os ingleses nas quartas de final.
Já em 1998, outro duelo entre as duas seleções terminou em frustração. David Beckham foi expulso ainda no segundo tempo, e a Inglaterra acabou derrotada novamente nos pênaltis.
A geração de Southgate também ficou perto
Mesmo vivendo um período de maior regularidade sob o comando de Gareth Southgate, a Inglaterra não conseguiu transformar boas campanhas em títulos.
Na Copa do Mundo de 2018, abriu o placar contra a Croácia na semifinal, mas sofreu a virada por 2 a 1 na prorrogação.
Em 2022, caiu nas quartas de final para a França, também por 2 a 1, em uma partida marcada pelo pênalti desperdiçado por Harry Kane nos minutos finais.
Na sequência, vieram ainda dois vice-campeonatos consecutivos da Eurocopa, em 2021 e 2024, aumentando a sensação de que a geração talentosa inglesa sempre esbarra no último obstáculo.
Um novo capítulo da mesma história
A derrota para a Argentina em 2026 reforça um padrão que acompanha a Inglaterra há décadas. Mais uma vez, a equipe saiu na frente em uma partida decisiva, recuou excessivamente para defender a vantagem e acabou castigada nos minutos finais.
Com isso, o jejum de títulos mundiais chega aos 60 anos, enquanto a seleção inglesa vê escapar mais uma oportunidade de transformar o tradicional “football’s coming home” em realidade. Até lá, o lema segue representando muito mais esperança do que conquista.
