
O Brasileirão 2026 atingiu nesta terça-feira (15) uma marca expressiva de instabilidade nos bancos de reservas. Em apenas 27 rodadas, 17 treinadores já deixaram seus cargos, após a saída de Léo Condé do Remo, anunciada depois da derrota por 2 a 1 para o Bahia, na Arena Fonte Nova.
Condé comandou o Remo durante aproximadamente seis meses e deixou o clube após 30 partidas, com oito vitórias, sete empates e 15 derrotas. O treinador ainda acumulava uma sequência de nove jogos sem vencer antes da demissão.
A derrota para o Bahia manteve o Remo na 19ª colocação, com 23 pontos, aumentando a pressão sobre a diretoria em meio à luta contra o rebaixamento.
Remo já tem duas trocas na temporada
A saída de Léo Condé representa a segunda mudança de treinador do Remo no Brasileirão 2026. Antes dele, o clube havia demitido o colombiano Juan Carlos Osorio, que deixou o cargo ainda no início da competição. Condé foi contratado justamente para substituí-lo.
Com isso, o Remo se junta aos clubes que mais trocaram de comandante durante a temporada. Botafogo, São Paulo, Vasco e Chapecoense também já passaram por mais de uma mudança no comando técnico.
Lista de técnicos demitidos
A temporada começou com uma sequência de mudanças ainda nas primeiras rodadas. O primeiro treinador a perder o emprego foi Jorge Sampaoli, do Atlético-MG, após a terceira rodada.
Na sequência, deixaram seus cargos:
- Jorge Sampaoli — Atlético-MG
- Fernando Diniz — Vasco
- Juan Carlos Osorio — Remo
- Filipe Luís — Flamengo
- Hernán Crespo — São Paulo
- Tite — Cruzeiro
- Juan Pablo Vojvoda — Santos
- Martín Anselmi — Botafogo
- Gilmar Dal Pozzo — Chapecoense
- Dorival Júnior — Corinthians
- Roger Machado — São Paulo
- Fábio Matias — Chapecoense
- Renato Gaúcho — Vasco
- Luis Zubeldía — Fluminense
- Franclim Carvalho — Botafogo
- Luís Castro — Grêmio
- Léo Condé — Remo.
Trocas não significam apenas demissões
A instabilidade também chama atenção porque alguns treinadores que deixaram um clube posteriormente assumiram outra equipe da própria Série A.
Renato Gaúcho, Fernando Diniz e Dorival Júnior, por exemplo, trocaram de clube durante a competição. Esse movimento aumenta ainda mais a circulação de profissionais entre os times da elite nacional.
O caso de Renato é um dos mais curiosos: após deixar o Vasco, o treinador retornou ao Grêmio para sua quinta passagem pelo clube.
Chapecoense, Botafogo, Vasco e São Paulo também sofreram
Algumas equipes enfrentaram mais de uma troca em 2026.
A Chapecoense começou o campeonato com Gilmar Dal Pozzo, que foi substituído por Fábio Matias. Depois, Rafael Lacerda assumiu a equipe.
No Botafogo, Martín Anselmi foi substituído por Franclim Carvalho, que também acabou deixando o cargo posteriormente.
O Vasco iniciou a competição com Fernando Diniz, passou por Renato Gaúcho e posteriormente promoveu nova mudança.
Já o São Paulo teve Hernán Crespo e Roger Machado demitidos durante a temporada, antes de Dorival Júnior retornar ao clube.
Marca já supera a de temporadas anteriores no mesmo período
A velocidade das mudanças chama atenção. Em 2025, 20 treinadores haviam deixado seus cargos antes da 28ª rodada, e a temporada terminou com 22 trocas. Já em 2026, o Brasileirão chegou à 27ª rodada com 17 demissões.
O recorde da era dos pontos corridos com 20 clubes pertence a 2015, quando foram registradas 32 trocas de treinador. No outro extremo, 2012 foi uma das temporadas mais estáveis, com 20 mudanças.
Pressão aumenta na reta final
Com apenas 11 rodadas restantes, a tendência é de que a pressão sobre os treinadores aumente ainda mais, principalmente entre os clubes envolvidos na luta contra o rebaixamento e aqueles que buscam vaga em competições continentais.
A saída de Léo Condé reforça um cenário cada vez mais comum no futebol brasileiro: resultados imediatos passaram a ter peso decisivo, e mesmo trabalhos com pouco tempo de desenvolvimento podem ser interrompidos diante de uma sequência negativa.
Até aqui, 17 mudanças em 27 rodadas representam uma média de aproximadamente 0,63 demissão por rodada — ou uma troca de treinador a cada 1,6 rodada.
O número evidencia o ambiente de extrema pressão vivido pelos comandantes da Série A em 2026.
