
A história de Antônio José Júnior de Oliveira é marcada pela persistência, pelo trabalho e pela realização de um sonho que atravessou décadas. Durante anos, ele percorreu as ruas de Goiânia com vassoura, carrinho e uniforme da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), ajudando a manter a cidade limpa. Ao mesmo tempo, alimentava um desejo antigo: tornar-se advogado. Aos 42 anos, ele conseguiu transformar esse objetivo em realidade.
Júnior concluiu o curso de Direito em julho de 2026, pela Universidade Salgado de Oliveira (Universo), e foi aprovado no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes mesmo de receber o diploma. Na segunda fase da prova, alcançou nota 9,4. Desde agosto, mantém um escritório de advocacia na região central de Goiânia, com atuação principalmente nas áreas previdenciária e trabalhista.
A conquista acadêmica veio acompanhada de uma nova oportunidade profissional. Servidor da Comurg, Júnior participou de um processo seletivo interno e foi aprovado para atuar como supervisor de abastecimento da Companhia, ampliando suas possibilidades de crescimento profissional.
Sonho antigo realizado após 26 anos
O desejo de cursar Direito surgiu ainda na infância. Segundo Júnior, a mãe, Ivani Xavier de Souza, conta que ele já manifestava a vontade de ser advogado aos cinco anos. Na época, chegou a posar para uma fotografia vestido de terno, antecipando o futuro que imaginava para si.
Em 2000, ele chegou a ser aprovado para o curso de Direito, mas não teve condições financeiras de dar continuidade aos estudos. O sonho permaneceu adiado até que, anos depois, decidiu retomar o projeto.
“Minha mãe conta que, quando eu tinha cinco anos, eu já dizia que queria ser advogado. Tenho até foto em casa vestido de terno. Cheguei a passar em Direito no ano 2000, mas naquela época não tive condições de concluir. Depois de 26 anos, consegui realizar aquele sonho que eu tinha desde jovem”, conta.
Antes de ingressar na graduação, Júnior já havia concluído formação em Teologia, pós-graduação em Oratória e cursos de extensão. A busca pelo conhecimento, no entanto, não eliminou os desafios de conciliar a rotina profissional com as exigências da faculdade.
Trabalho, estudos e estágios
Durante a graduação, Júnior enfrentou uma rotina intensa. Trabalhava na Comurg das 16h às 22h, estudava pela manhã e realizava estágios no período da tarde. Ao longo da trajetória na Companhia, atuou na varrição das ruas de Goiânia, além de trabalhar na coleta orgânica e na coleta seletiva.
A conciliação das atividades exigiu organização, disciplina e persistência. Segundo ele, o apoio recebido da Companhia foi importante para cumprir as exigências acadêmicas, especialmente durante os períodos de provas, avaliações e estágios.
“Foi um grande desafio. Eu precisava trabalhar, estudar e fazer os estágios, mas foi muito gratificante. Tive o apoio da Companhia para conciliar os horários e seguir em busca do conhecimento. Sou muito grato à Comurg e a todas as pessoas que fizeram parte dessa caminhada”, afirma.
Mãe foi inspiração durante a caminhada
Outro capítulo importante dessa história é o apoio da mãe, Ivani Xavier de Souza. Mãe solo, ela criou os filhos com o trabalho de diarista e passando roupas para outras pessoas, enfrentando dificuldades para garantir o sustento da família e incentivar os filhos a estudar.
Júnior foi o primeiro entre os irmãos a concluir um curso superior. Ter a mãe ao seu lado na cerimônia de formatura foi um dos momentos mais marcantes dessa conquista.
“Minha mãe foi meu grande incentivo. Ela criou os filhos com muita dificuldade, trabalhando como diarista. Hoje, poder tê-la comigo na minha formatura foi motivo de muita gratidão e orgulho”, relata.
Orgulho das próprias raízes
Mesmo com a nova carreira na advocacia, Júnior faz questão de preservar a história construída nas ruas de Goiânia. Para ele, a experiência como gari foi fundamental para sua formação pessoal e profissional, além de representar um trabalho digno e essencial para a sociedade.
Como forma de homenagear essa trajetória, ele pretende emoldurar o uniforme utilizado durante o período da varrição e colocá-lo na entrada do escritório de advocacia.
“Eu tenho muito orgulho de ter passado pela varrição. Foi um trabalho digno, que me ensinou muito e me permitiu conhecer de perto a cidade e as pessoas. Sonhava em ser advogado, graças a Deus conquistei essa vitória, mas nunca vou esquecer de onde vim e das minhas raízes. Por isso, vou emoldurar meu uniforme e colocar na entrada do escritório. O trabalho da varrição é muito importante para a sociedade”, destaca.
Agora, além de atuar como advogado, Júnior assume a função de supervisor de abastecimento da Comurg. Ele pretende continuar contribuindo com a Companhia e colocar o conhecimento adquirido ao longo dos anos a serviço da população.
“Quero continuar servindo Goiânia. A história da Comurg se confunde com a história da cidade. É uma empresa que ajudou a construir e urbanizar Goiânia e que faz parte da vida de muitas famílias. Quero colocar meu trabalho à disposição da população e continuar contribuindo”, afirma.
Para o presidente da Comurg, Cleber Aparecido Santos, a trajetória de Antônio José Júnior de Oliveira demonstra que é possível construir novos caminhos profissionais sem deixar para trás as próprias origens.
Aos 42 anos, Júnior celebra não apenas a conquista do diploma e a aprovação na OAB, mas também a oportunidade de ampliar sua atuação profissional. Sua história mostra como a educação, a dedicação e a persistência podem abrir portas e transformar sonhos antigos em novas possibilidades.
