
O episódio aconteceu antes do início do segundo tempo, quando Neymar discutiu com o meio-campista Rodrigo Nestor, do Bahia. Durante o bate-boca, o camisa 10 cobriu a boca com a mão. O árbitro Sávio Pereira Sampaio foi alertado pela equipe do VAR e aplicou o cartão vermelho direto.
O que diz a súmula da arbitragem?
Na súmula da partida, Sávio Pereira Sampaio registrou que Neymar cobriu intencionalmente a boca durante a discussão com Rodrigo Nestor. O árbitro também relatou que, após receber o cartão vermelho, o atacante correu em direção ao banco de reservas do Bahia para confrontar o adversário e precisou ser contido pelos próprios companheiros.
A confusão teve início ainda no primeiro tempo. Aos 31 minutos, Neymar recebeu cartão amarelo após jogar a bola em direção a Nestor, que caiu no gramado. A situação provocou um princípio de tumulto entre os jogadores.
Possíveis punições no STJD
Uma das possibilidades analisadas é o enquadramento de Neymar no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva. O dispositivo prevê suspensão de uma a seis partidas.
Outra possibilidade mencionada na apuração do caso é o artigo 191, inciso II, do CBJD, relacionado ao descumprimento de regulamentos, cuja penalidade prevista é multa de R$ 100 a R$ 100 mil. O enquadramento definitivo dependerá da denúncia apresentada pela Procuradoria e da análise dos fatos pelo tribunal.
Neymar já teria de cumprir suspensão automática pela expulsão. Além disso, estava fora do clássico contra o Palmeiras, marcado para quarta-feira (28), por ter recebido o terceiro cartão amarelo. Dessa forma, uma eventual pena disciplinar de até dois jogos poderá ser absorvida pelas suspensões já previstas; caso o STJD aplique punição superior, os jogos adicionais poderão ser cumpridos posteriormente.
Entenda a chamada Lei Vini Jr.
A regra utilizada no caso é conhecida como “Lei Vini Jr.” e prevê a possibilidade de expulsão de jogadores que cubram intencionalmente a boca ao discutir com adversários. A medida foi adotada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em agosto de 2026, após reunião com clubes das Séries A e B.
O objetivo é dificultar a ocultação de manifestações discriminatórias durante as partidas e permitir que a arbitragem atue diante de situações suspeitas. A aplicação da regra, porém, não significa, por si só, que tenha ocorrido racismo no episódio envolvendo Neymar e Rodrigo Nestor.
Neymar se manifesta após a expulsão
Depois da partida, Neymar publicou vídeos nas redes sociais e pediu desculpas aos torcedores pela expulsão. O atacante, entretanto, criticou a atitude de Rodrigo Nestor e afirmou que o adversário teria utilizado a regra para provocar sua punição.
O jogador reconheceu que colocou a mão na boca durante a discussão, mas contestou a interpretação do episódio e defendeu que a norma não seja utilizada para obter vantagens esportivas.
Neymar também afirmou que estava trocando provocações com o adversário e demonstrou insatisfação com a decisão da arbitragem. As declarações ampliaram a repercussão do caso, que agora deverá ser analisado pela Justiça Desportiva.
O que acontece agora?
A Procuradoria do STJD deverá formalizar a denúncia e definir os artigos aplicáveis à conduta. A partir daí, o processo seguirá para julgamento, quando serão avaliados a súmula, as imagens da partida e os demais elementos disponíveis.
Até a decisão do tribunal, não é possível afirmar qual será a punição definitiva. O resultado poderá ter impacto na sequência de Neymar no Campeonato Brasileiro, especialmente caso seja aplicada uma suspensão superior àquela que o atacante já terá de cumprir.
