O Artilheiro Comentarista
Análise – Neons multicoloridos apontavam para fracasso do Brasil Sub-20

Análise – Neons multicoloridos apontavam para fracasso do Brasil Sub-20

Demitir treinador é, há décadas, a resposta mais imediata dos dirigentes brasileiros diante de uma sequência de maus resultados. A troca costuma ser apresentada como solução, uma tentativa de recomeço rápido, capaz de dar novo ânimo ao elenco e acalmar a torcida. Eventualmente, a decisão faz sentido e representa o fim de um ciclo natural. Mas, na maioria das vezes, ela serve apenas como uma resposta simbólica — um gesto para conter a pressão externa, e não para corrigir um problema estrutural.

Se as mudanças de comando realmente resolvessem, cada troca seria seguida de bons resultados, elencos reagiriam de imediato e os clubes alcançariam estabilidade. Todos sabemos que raramente é o que acontece. A sucessão de treinadores apenas mascara falhas de planejamento, reforça a cultura do improviso e impede o desenvolvimento de projetos de longo prazo.

Por outro lado, o extremo oposto também é nocivo: manter técnicos que acumulam desempenhos ruins sem apresentar sinais de evolução. Nesses casos, o erro deixa de estar no impulso da demissão e passa a ser a omissão diante de um trabalho ineficiente.

É nesse ponto de equilíbrio difícil — entre a pressa e a passividade — que se encaixa a recente demissão de Ramon Menezes da Seleção Brasileira Sub-20. O técnico foi desligado apenas no sábado (4), após comandar a equipe na pior campanha da história do Brasil em um Mundial da categoria.

Ramon vinha sendo contestado há meses, tanto pelos resultados quanto pelo desempenho irregular da equipe em campo. O Brasil apresentou problemas táticos, pouca criatividade e falhas coletivas que chamaram atenção justamente por se tratarem de uma geração considerada promissora.

A saída do treinador, embora tardia, acaba soando inevitável. O problema é que ela também revela algo maior: a falta de critério e planejamento nas escolhas. Ramon foi mantido até o limite da paciência da torcida e da crítica, e só depois do vexame veio a decisão.

O caso escancara o dilema recorrente da gestão esportiva no país: os clubes e seleções oscilam entre agir por impulso ou agir tarde demais. Entre a demissão precipitada e a permanência injustificável, o futebol brasileiro ainda busca um meio-termo racional — aquele em que o desempenho é avaliado com método, e as decisões são tomadas por convicção, não por pressão.

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