O Artilheiro Comentarista
times endividados e treinadores querendo gastar mais

times endividados e treinadores querendo gastar mais

O futebol brasileiro vive dias de penúria. Com exceção de Flamengo e Palmeiras, praticamente todos os clubes da Série A convivem com dívidas e dificuldades financeiras. Em muitos casos, o cenário é resultado de anos de gestões desastrosas, decisões equivocadas e falta de planejamento.

O São Paulo é um dos exemplos mais emblemáticos desse processo. O clube, que durante muitos anos carregou a fama de ser um dos mais organizados e estruturados do país, viu sua situação financeira se deteriorar gradativamente, até chegar a um cenário bastante diferente daquele que marcou sua história.

É importante destacar que essa transformação não aconteceu da noite para o dia. O endividamento foi construído ao longo de anos, com escolhas que comprometeram cada vez mais o orçamento dos clubes.

Mas existe um personagem que muitas vezes é deixado de lado nessa discussão: o treinador.

A pressão por reforços

É comum que treinadores, ao assumirem um clube, apontem a necessidade de reforçar o elenco. A justificativa quase sempre é esportiva: melhorar a qualidade do time, aumentar as opções no banco e buscar resultados.

O problema aparece quando essa pressão por contratações entra em choque com a realidade financeira da instituição.

Jogadores são contratados por valores elevados, salários aumentam e contratos longos são assinados. Quando o resultado dentro de campo não aparece, muitas vezes o clube precisa fazer novas apostas para tentar corrigir os erros anteriores.

Cria-se, assim, um ciclo perigoso: gasta-se para montar um elenco, o resultado não vem, troca-se o treinador e o novo comandante pede novos jogadores.

Quem paga a conta?

A pergunta que precisa ser feita é simples: quem paga essa conta?

No futebol brasileiro, frequentemente são os clubes. E, consequentemente, seus torcedores.

Um treinador pode permanecer apenas alguns meses em uma equipe, enquanto uma contratação indicada por ele pode representar um compromisso financeiro de vários anos. Se o profissional deixa o clube, a dívida continua.

Não significa, evidentemente, que treinadores sejam os únicos responsáveis pelo endividamento dos clubes. Longe disso. Presidentes, diretores de futebol, conselheiros e demais dirigentes têm responsabilidade decisiva na administração dos recursos.

Mas os técnicos também precisam fazer parte dessa discussão.

Resultado imediato x saúde financeira

O grande desafio do futebol brasileiro é encontrar o equilíbrio entre competitividade e responsabilidade financeira.

É compreensível que um treinador queira um elenco forte. Afinal, ele será cobrado pelos resultados. Porém, também é necessário compreender que nem todo reforço desejado pode ser contratado.

Clubes precisam estabelecer limites claros para o mercado. O treinador pode indicar, mas a decisão final precisa considerar o orçamento, o planejamento e a sustentabilidade da instituição.

Caso contrário, o futebol brasileiro continuará repetindo a mesma história: dirigentes assumem clubes com problemas financeiros, gastam para tentar recuperar o desempenho esportivo, os resultados não aparecem e a dívida aumenta.

No fim das contas, o treinador troca de clube, mas a dívida fica.

E talvez seja hora de o futebol brasileiro discutir também essa responsabilidade antes de abrir a carteira novamente.

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