
Os clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro aprovaram, nesta segunda-feira (21), uma mudança na regra que estabelece o número máximo de jogadores estrangeiros que podem ser relacionados por equipe nas competições nacionais. A medida prevê uma redução gradual do limite a partir de 2027.
Atualmente, cada clube pode relacionar até nove atletas estrangeiros por partida. O número, porém, será reduzido progressivamente ao longo das próximas temporadas, com o objetivo de ampliar o espaço para jogadores brasileiros, especialmente os mais jovens.
De acordo com o estudo apresentado pela entidade, houve uma redução de 40% nos minutos disputados por atletas brasileiros sub-23 desde que o limite de estrangeiros em súmula passou de seis para nove jogadores, há dois anos.
Redução começa em 2027
A nova regra prevê a diminuição de um atleta estrangeiro por temporada. Dessa forma, o limite será reduzido gradualmente até chegar a cinco jogadores estrangeiros por equipe em 2030.
O cronograma aprovado será:
- 2026: até 9 estrangeiros;
- 2027: até 8 estrangeiros;
- 2028: até 7 estrangeiros;
- 2029: até 6 estrangeiros;
- 2030: até 5 estrangeiros.
Além da redução no número de estrangeiros, os clubes também terão de cumprir uma exigência relacionada à formação e utilização de atletas brasileiros da categoria sub-23. A medida busca aumentar as oportunidades para jogadores mais jovens no futebol profissional.
Clubes da Série A mais afetados com a nova regra
- Athletico-PR (11 estrangeiros): Carlos Terán, Tabares, Vargas, Alejandro García, Portilla, Viveros, Jorge Rivaldo e Mendoza (Colômbia), Lucas Esquivel, Benavidez e Zapelli (Argentina);
- Vasco (11 estrangeiros): Puma Rodríguez e Saldívia (Uruguai); Andrés Gómez, Rojas, Hinestroza e Carlos Cuesta (Colômbia); Colídio, Lescano, Sosa e Spinelli (Uruguai); Nuno Moreira (Portugal);
- Flamengo (10 estrangeiros): Rossi e Freitas (Argentina); Arrascaeta, De la Cruz, Varela (Uruguai); Pulgar (Chile), Saúl (Espanha); Carrascal (Colômbia), Plata e Valencia (Equador);
- Grêmio (10 estrangeiros): Krovinovic (Croácia), Enamorado (Colômbia), Nardoni e Pavón (Argentina), Jovane Cabral (Cabo Verde), Noriega (Peru), Amuzu (Bélgica), Balbuena e Villasanti (Paraguai), Braithwaite (Dinamarca);
- Internacional (10 estrangeiros): Rochet (Uruguai) Maripán (Chile), Félix Torres (Equador); Gabriel Mercado, Bernabei, Aguirre, Villagra (Argentina), Benjamin (Gana), Carbonero (Colômbia) e Sanabria (Paraguai); Eliasson (Suécia);
- Botafogo (9 estrangeiros): Mateo Ponte, Lucas Villalba (Uruguai); Ferraresi (Venezuela); Medina, Montoro (Argentina); Domingos Andrade (Angola); Jordan Barrera (Colômbia); Ziyech (Marrocos) e Kadir (Panamá);
- Atlético-MG (9 estrangeiros): Alan Franco, Alan Minda e Preciado (Equador); Borbas, Tomás Pérez e Cuello (Argentina); Cassierra e Kevin Castaño (Colômbia) e Mamady Cissé (Guiné);
- Cruzeiro (9 estrangeiros): Viña e Lucho Rodríguez (Uruguai); Villalba, Romero, Rojas (Argentina); Sinisterra e Neyser Villarreal (Colômbia); Arroyo (Equador) e Peralta (Paraguai);
- Fluminense (9 estrangeiros): Acosta, Cano, Castillo e Freytes (Argentina); Millán, Serna (Colômbia); Canobbio (Uruguai); Savarino e Soteldo (Venezuela);
- Bahia (8 estrangeiros): Alejo Véliz, Guido Herrera, Lautaro López, Sanabria e Román Agustín Gómez (Argentina); Marco Moreno (Espanha); Michel Araújo e Acevedo (Uruguai);
- Bragantino (8 estrangeiros): Herrera (Argentina); Mosquera e Weimar Palacios (Colômbia), Sosa (Uruguai); Sant’Anna, Guzmán Rodríguez (Uruguai), Isidro Pitta (Paraguai), Hurtado (Equador);
- Palmeiras (8 estrangeiros): Barboza, Emiliano Martínez e Piquerez (Uruguai); Flaco López e Giay (Argentina); Gustavo Gómez e Sosa (Paraguai); Jhon Arias (Colômbia);
- Corinthians (7 estrangeiros): Labyad (Marrocos); Garro e Angileri (Argentina); Milans (Uruguai); Carrillo (Peru); Lingard (Inglaterra); Memphis (Holanda);
- Coritiba (7 estrangeiros): Nico Fonseca, Ocampo e Lavega (Uruguai); Bustos (Argentina); Sebastián Gómez e Ararat (Colômbia) e Josué (Portugal);
- São Paulo (7 estrangeiros): Duarte e Cedric (Portugal); Arboleda (Equador); Calleri e Enzo Diaz (Argentina), Buta (Angola), Bobadilla (Paraguai);
- Santos (6 estrangeiros): Caballero (Paraguai); Barreal, Escobar e Rollheiser (Argentina); Oliva (Uruguai); Miguelito (Bolívia);
- Vitória (6 estrangeiros): Brítez, Pochettino, Martínez, Tarzia (Argentina); Ismael (Portugal); Laquintana (Uruguai);
- Remo (6 estrangeiros): Andrés González (Colômbia); Tchamba (Camarões); Catarozzi e Tassano (Uruguai) Picco (Argentina) e Galeano (Paraguai);
- Chapecoense (5 estrangeiros): Borrero (Colômbia), Miguel Carvalho (Espanha); Franco Rossi (Uruguai); Bolasie (RD Congo) e Kevin Ramírez (Uruguai);
Bahia e Flamengo votaram contra
A proposta foi aprovada em reunião com a participação dos clubes das duas principais divisões do futebol brasileiro. Entre as equipes, Bahia e Flamengo votaram contra a mudança.
A discussão sobre o número de estrangeiros ganhou força nos últimos anos diante do crescimento da presença de atletas de outros países no futebol brasileiro. O aumento do limite permitiu que os clubes ampliassem seus elencos com jogadores estrangeiros, mas também gerou debates sobre o espaço destinado aos atletas formados no Brasil.
Com a nova regra, os clubes terão um período de adaptação até 2030, quando o limite chegará a cinco estrangeiros relacionados por partida.
A expectativa é que a mudança tenha impacto principalmente na montagem dos elencos e no planejamento das categorias de base, aumentando a necessidade de os clubes desenvolverem e aproveitarem jogadores brasileiros mais jovens.
